Projetor: o final desta temporada

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Como todo bom projeto, como as séries costumam fazer e os filmes tentam nos enganar, o final se aproxima. Um bom projeto costuma acabar e pronto; as séries costumam finalizar suas temporadas e, com a certeza do amor do público por novos episódios, clamam por retornos e reencontros. Afinal, quem não gostaria de rever antigos personagens que habitaram nossos lares por tanto tempo?

Já o cinema é outra história: muitos filmes fazem sucesso e, com finais redondinhos prontos para encerrar sua trajetória, acabam ganhando continuações – ou spin-offs, reboots, do cinema vão para a televisão, documentário sobre as filmagens, séries sobre as filmagens e tudo o que puderem tirar como uma boa história. O cinema, portanto, é bastante amplo.

Nada como enxergar, então, o Projetor como uma mistura muito bem bolada de um bom projeto, série televisiva e filme de sucesso, mesmo que nada disso tenha sido planejado. O Projetor encontrou suas temporadas, com o passar dos anos, e em cada uma delas percebeu a diferença de textos e estrutura, sempre pensando nas melhores formas de oferecer conteúdos únicos e interessantes aos leitores.

Não é à toa, então, que o Projetor se viu cheio e vazio, como se a atração por novos redatores dependesse exclusivamente da grande onda em prol da escrita criativa. E dependeu mesmo. Tivemos um começo repleto de pessoas empolgadas com uma ideia, mas aos poucos foram debandando e deixando o Projetor nas mãos de apenas um. E não é que isso foi uma grande e boa surpresa?

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O tempo passou, os textos foram publicados, explorando o melhor (ou não) do cinema e tudo o que isso significa para o cinéfilo. Aos poucos o Projetor se transformou em um blog de boas novidades, mas isso também tinha seus dias contados.

Chegou a hora, enfim, de nos despedirmos desta temporada, que contou com a colaboração de diferentes estilos de escrita e gostos cinematográficos, mas sempre unindo o amor pelo cinema – ou ao menos por bons filmes – em um único lugar: um blog que, nascido em dezembro de 2012, finaliza a temporada 2016/2017 com chave de ouro: proporcionando boas leituras a você, que nos acompanhou até aqui.

Não deixe de assistir, pensar, refletir e opinar. Não deixe o amor pelo cinema de lado. Em breve estaremos de volta!

 

Um grande abraço,

 

Denis Le Senechal Klimiuc

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As seções do Projetor

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Por Denis Le Senechal Klimiuc

Quando o Projetor nasceu, em dezembro de 2012, eu mal sabia para que serviam todas as ferramentas que o WordPress possui, assim como tudo o que um conteúdo online pode significar para o sucesso ou fracasso de um blog.

Com a ajuda da criadora do blog, Carolina Cordeiro, percebi que era fundamental ter certa organização no ambiente virtual, mesmo que não tivéssemos intenção nenhuma de torná-lo público o suficiente para ganharmos dinheiro com ele.

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Nossa intenção, aliás, era puramente a de compartilhar opiniões sobre filmes e séries que amássemos ou detestássemos, dando destaque para os lançamentos e premiações e tornando uma equipe entrosada a fim de diversificar ao máximo nosso mais novo xodó.

O Projetor, porém, passou por diversas situações, tendo de uma extensa equipe a um simples responsável pelos textos, culminando no que hoje é um blog colaborativo, com convidados esporádicos compartilhando suas opiniões a respeito de filmes e séries que amam ou odeiam. Entende a pegada?

Por isso, desde o começo, separamos o Projetor em algumas seções, as quais serviriam para categorizar o texto e facilitar o navegante na hora de procurar por um determinado padrão de filmes e séries ou para simplesmente delimitar cada época do blog.

Criamos, então, a Sessão Nostalgia, que destacaria filmes clássicos da Sessão da Tarde e Cinema em Casa, cujas infâncias dos autores do Projetor foram tocadas por tais obras; relevamos os Neo Classics, os filmes com até 30 anos que já se tornaram verdadeiros clássicos do cinema.

Preparamos uma categoria especial para destacar filmes independentes, sejam eles de qual nacionalidade for, a Independência ou Corte!; tivemos a Semana do Horror, especial do final de outubro sobre os melhores filmes do gênero, este adorado por boa parte dos integrantes da equipe original; ensaiamos em O Som da Música, sobre trilhas sonoras marcantes de grandes filmes.

Elaboramos as seções Clássico na Veia, sobre os grandes clássicos de Hollywood; mas também destacamos em Isso Não é Hollywood os grandes filmes de outras nacionalidades; tivemos a Verdade e Desafio, sobre documentários marcantes; e a Literalmente Cinema, com obras adaptadas de livros e comparações entre o original e sua versão cinematográfica.

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Por fim, adaptamos algumas maneiras dinâmicas para destacar determinados filmes, como a No Cinema, sobre estreias que alguém da equipe acompanhou e curtiu; a seção Estreias de Cinema, por sua vez, apenas destacava todos os filmes daquela semana, com uma pequena sinopse sobre cada um; e a genérica e não menos importante Falando Sobre, com filmes que não se encaixavam em nenhuma das categorias anteriores.

Na segunda fase do Projetor, porém, houve apenas a seção Crítica, a qual foi preenchida com todos os filmes, sejam eles novos ou não, bons ou não. E hoje, com sua terceira fase a todo vapor, o Projetor decidiu encontrar cada uma de suas diversas seções ao incluir cada texto em sua respectiva categoria, sem, com isso, padronizá-lo.

Você poderá encontrar seu texto favorito pesquisando sobre ele ou clicando em cada categoria. Porém, decidimos manter o layout original, sem incluir landing pages de cada uma delas. Algo mais limpo, sem deixar a qualidade de lado. Algo voltado apenas ao cinéfilo de plantão que procura por uma diferente opinião.

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Invasão Zumbi

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Por Jaqueline Souza

Busanhaeng, 2016. Dirigido por Sang-Ho Yeon. Roteiro de Joo-Suk Park e Sang-ho Yeon. Elenco: Yoo Gong, Soo-an Kim, Yu-mi Jung, Dong-seok Ma, Woo-sik Choi, Sohee e Eui-sung Kim.

Os filmes coreanos estão em grande ascensão, acompanhando a onda Hallyu, que está difundindo cada vez mais esta cultura para outros países. O filme, dirigido por Sang-ho Yeon e apresentado no  Festival de Cannes de 2016, deixou sua marca com os enredos e  leveza que somente os filmes coreanos trazem aos seus expectadores.

No entanto, já começo com uma crítica negativa ao título abrasileirado “Invasão Zumbi”, que dá a centralidade do plot do filme aos zumbis de forma errônea, levando os espectadores a pensarem que o filme é como os de Hollywood de mesmo gênero, sanguinolência à la Tarantino.  O título, que é o que se encaixa adequadamente (e correto, na tradução!) seria “Trem para Busan” e, ao decorrer da análise, vocês entenderão o porquê disso.

Seok-woo (Gong Yoo) é um administrador de fundos que mora com a pequena filha Soo-na (Kim Su-an), em Seoul. Divorciado e dedicado ao trabalho, ele não tem tempo para sua filha, um típico workaholic. Temos o aniversário da menina, que quer ver a mãe em Busan, pois ali ela terá a atenção que precisa.

E ai que começamos nossa aventura no trem de Busan. A praga se espalha do vírus, infectando tudo e todos. E neste ponto temos nossa diferenciação dos blockbusters zumbis para essa película coreana.

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O apocalipse zumbi não tem importância alguma, poderia ser filme de guerra ou terroristas – o objetivo do filme seria fazer o expectador questionar- se sobre o que ele enfrentaria para proteger aqueles que amam. As relações que aparecem no filme entre as personagens são aprofundadas em uma dimensão de segundos; e aqueles que querem sobreviver inescrupulosamente ao terror do trem, têm uma justificativa no amor.

O elemento apocalíptico é um estopim para a reflexão da natureza humana no coletivo: será em que momentos desastrosos o ser humano é capaz de ajudar o outro, ter amor ao próximo?

A viagem no trem para Busan é assustadora e delicada, descrita em tons sombrios e silêncios de reflexão. É uma viagem ao interior dos personagens e de nós mesmos, ao refletirmos nossa mania de represar nossos sentimentos até não termos por quem derramá-lo.

Por isso, não espere deste filme um final feliz, mas simples e real.

Nota: 9.

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Há Tanto Tempo que Te Amo

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Por Denis Le Senechal Klimiuc

Il Y A Longtemps Que Je T´Aime, 2009. Dirigido e roteirizado por Phillippe Claudel. Elenco: Kristin Scott Thomas, Elsa Zylberstein, Serge Hazanavicius, Fréderic Pierrot, Catherine Hosmalin, Jean-Claude Arnaud, Lise Ségur, Mouss e Laurent Grévill.

Juliette viveu reclusa em uma penitenciária inglesa por quinze anos e, hoje, sentada no aeroporto aguardando alguém buscá-la, é notável como o tempo judiou de seu físico e emocional. Com fundas olheiras, o vício pelo cigarro e sustos a toda e qualquer movimentação à sua volta, ela parece sentir-se incomodada com a sua nova realidade e, experimentando a liberdade novamente, sente-se extremamente insegura.

Léa, irmã de Juliette, é casada com Luc e ambos têm duas filhas adotivas, as quais foram buscar no Vietnã. Paul, o pai de Luc, vive junto deles e, desde que teve um AVC, há três anos, perdeu a capacidade de falar, porém, muito pelo contrário, não perdeu a de se comunicar. Essa família diversificada e moderna, construída à base do amor e do esforço do casal, que trabalha muito – ela, professora; ele, pesquisador -, possui o grande desafio de comunicação impregnado no trágico passado de Juliette, que passa a morar na mesma casa.

Enquanto Juliette mal abre a boca e mantém-se reclusa a qualquer movimento corporal expressivo, sua face, corroída pelo sofrimento, expressa mais do que deveria e, transformando-a em uma guerreira frente às sutilezas que evita mostrar, caminha a passos lentos enquanto sua irmã destoa-se de seu passado e esbanja amor a sua irmã – até saber de sua soltura, Léa sequer se comunicava com a irmã, desde sua infância, quando seus pais a proibiram de fazer isso; esquecê-la era a regra e ela assim o fez.

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Neste belo drama de Phillippe Claudel, com um roteiro amarrado que conta tudo o que precisava contar e não deixa pontas soltas, aprendemos um pouco mais sobre recomeços e suas diversas possibilidades de acontecer: o recomeço de uma família que há muito parecia ter se desintegrado; o recomeço de uma vida após tê-la despedaçada e jogada ao vento; o recomeço profissional, apesar de ter sido médica; o recomeço amoroso.

E a direção simples e precisa, assim como o roteiro, também assinado pelo Claudel, encontrou em Kristin Scott Thomas a protagonista ideal para exalar amargor e esperança, sempre em seus olhos bastante expressivos e sua face já envelhecida, enquanto a atriz aproveita seu talento para atuar em francês; por sua vez, Elsa Zylberstein faz o contraponto perfeito com seu olhar ingênuo e caloroso, criando um relacionamento entre sua Léa e Juliette pelo qual tememos que algo ruim aconteça.

O desenrolar da narrativa, porém, torna este Há Tanto Tempo que Te Amo um soco na boca do estômago com a revelação de alguns porquês e, dessa forma, com a elegância de nos dar toda a esperança ao mesmo tempo em que constrói a tensão sobre o passado de Juliette, Claudel acerta em deixar para o final o impacto que nos fará ter esta obra em nossa memória por um bom tempo.

Nota: 9,5.

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O Artista

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Por Denis Le Senechal Klimiuc

The Artist, 2011. Dirigido e roteirizado por Michel Hazanavicius. Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller, Missi Pyle, Beth Grant, Joel Murray, Malcolm McDowell, Ed Lauter, Jen Lilley, Ken Davitian, Stuart Pankin, Bitsie Tulloch, Basil Hoffman e Calvin Dean.

George Valentin era uma celebridade do cinema mudo, transformando a vida de milhões de pessoas em espetáculos ao apresentar suas obras enquanto interpretava diferentes papéis e conquistava cada vez mais o público do início da década de 1920. Mas, em 1927 as coisas mudaram e os primeiros testes de som começaram a ser feitos; George não se adaptou e encontrou, ali, o início de sua decadência.

O Artista, escrito e dirigido por Michel Hazanavicius, que homenageia não só a história do cinema, mas também as mudanças que transformaram fizeram a sétima arte se superar desde a sua criação, nos brinda com a simplicidade deste roteiro, repleto de nuances, sim, mas que nos entrega a doçura de uma época na qual a mecanicidade dos filmes era respeitada no auge de seu purismo.

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Enquanto acompanhamos George Valentin descambar para a resistência em aceitar mudanças e transformar sua vida em um pesadelo, insistindo em ficar no passado e passando a não se reconhecer frente ao espelho, observamos a ascensão da doce Peppy Miller, que de fã de George se transforma em celebridade justamente por evoluir junto aos filmes, do mudo ao falado, da figuração ao estrelato.

Uma das coisas que faz O Artista ser uma belíssima homenagem ao cinema é o respeito pelas cores, inexistente, e pelo som, quase todo feito através da orquestração e composições de Ludovic Bource e a bela união entre os figurinos da época, que acompanharam os anos passados em tela, além da fotografia respeitosa de Guillaume Schiffman.

Um conjunto belo e simples, que foca na história entre os desencontros de George e Peppy e o sentimento não só de respeito que um sente pelo outro, mas pela bela metáfora de uma nova era cinematográfica que surgia, a partir do som, que guardou tudo de valor que os tempos de cinema mudo trouxeram, mas que acrescentou mais vida e personalidade aos filmes a partir de então.

É justamente nessa relação que o filme foca e, aqui, não faz diferença a nacionalidade dos atores, pois a interpretação potente de Jean Dujardin e a determinação de Bérénice Bejo os elevam a grandes intérpretes – justamente outra homenagem aos atores do tempo em que falar não era necessário para transmitir emoção. Aliás, hoje é?

Nota: 9.

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Animais Fantásticos e Onde Habitam

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Por Denis Le Senechal Klimiuc

Fantastic Beasts and Where to Find Them, 2016. Dirigido por David Yates. Roteiro de J.K. Rowling, baseado em sua própria obra. Elenco: Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Dan Fogler, Alison Sudol, Colin Farrell, Ezra Miller, Samantha Morton, Jon Voight, Carmen Ejogo, Faith Wood-Blagrove, Jenn Murray, Gemma Chan, Kevin Guthrie, Akin Gazi, Peter Breitmayer, Dan Hedaya, Zoe Kravitz, Josh Cowdery, Ron Perlman e Johnny Depp.

Quando J.K. Rowling começou a escrever Harry Potter e sua saga, com certeza ela não esperava pelo tamanho do sucesso que sua obra teria nos próximos anos. Pois o mundo da literatura infanto-juvenil mudou e, com essa mudança, uma gigantesca legião de fãs dos livros migrou para o cinema. Ao final do último filme, em 2011, nada mais era esperado. Pois a escritora continuou a escrever sobre o mundo de Harry Potter em seu site, Potter More, e, quando se soube que fariam filmes sobre o universo expandido, baseados no pequeno livro Animais Fantásticos e Onde Habitam, a empolgação voltou a tomar conta da vida dessa legião, que ficou ainda mais extasiada quando soube que a própria autora escreveria o roteiro.

Aliás, com a notícia de que J.K. Rowling escreveria o roteiro do filme, é claro que o rumor sobre criar uma nova máquina caça-níquel tomou conta da internet e, com os trailers liberados, criou-se a expectativa de que o universo expandido seria para crianças. Doce engano!

Animais Fantásticos e Onde Habitam estreou e a qualidade narrativa de Rowling não só se manteve, mas deu um salto gigantesco, mantendo o nível dos livros e mudando a linguagem, adaptando-a para um filme com uma história completamente nova, mesmo que baseada em um livro de 49 páginas.

Pois o universo estabelecido por Rowling para as criaturas fantásticas é o pano de fundo para a história de Newt Scamander, um apaixonado por animais mágicos que os protege e os transporte em sua mala, simples por fora e gigantesca por dentro. Dessa forma, ele vai a Nova York para explorar ainda mais a vida de tais animais, mas a época, em pleno ano de 1926, não é nada favorável: a comunidade mágica dos Estados Unidos está dominada pelo medo das criaturas mágicas, abominando-as enquanto alguns não-majs, ou trouxas, tentam trazer a época da inquisição de volta.

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Com um cenário político bastante parecido com o real daquela época, acompanhamos, então, a chegada de Newt e, é claro, algo dá errado quando suas criaturas começam a escapar. Na tentativa de contê-lo e ter seu antigo cargo de aurora de volta, Poppy o leva às autoridades, que ignoram seu aviso de que criaturas escaparam e de que aquele sujeito é perigoso; por sua vez, Jacob, um não-maj, acaba se envolvendo com a dupla de bruxos por presenciar diversos atos mágicos, o que já era extremamente proibido naquela época.

Retornando à cadeira de diretor, David Yates, responsável pelos episódios 5, 6, 7 e 8 dos filmes de Harry Potter, agora está ainda mais seguro de seu cargo e, inventivo com o excelente roteiro de Rowling, nos apresenta ao mundo mágico de uma maneira ainda diferente.

Enquanto isso, a Europa está aterrorizada com a ascensão de Grindewald, o bruxo que conhecemos nas Relíquias da Morte, o qual foi banido por Dumbledore e que tinha, até então, a Varinha das Varinhas.

Animais Fantásticos e Onde Habitam é uma fantasia com propriedade máxima, cujo encantamento nos leva ao mundo mágico com a sensação nostálgica de que aquilo nos pertence, ao mesmo tempo em que novos personagens tão interessantes quanto os originais nos são apresentados – e, de quebra, com alguns vilões dignos de nota!

Nota: 10.

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Pitanga

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Por Denis Le Senechal Klimiuc

Pitanga, 2017. Dirigido por Beto Brant e Camila Pitanga. Roteiro de Beto Brant, Camila Pitanga, José Carlos Avellar e Marçal Aquino. Elenco: Antonio Pitanga.

Após consolidar sua carreira como diretor de longa metragens de ficção, Beto Brant se arrisca em um documentário justamente sobre um dos maiores atores do cinema nacional, cujo desbravamento concomitante a sua carreira resultou em admiração de diversas gerações: Antonio Pitanga.

Pai de Camila e Rocco, atores já consagrados por seus papéis na teledramaturgia e cinema nacional, Antonio é considerado o primeiro protagonista negro de um filme, o que significa muito historicamente, mas que condiz com sua simplicidade em encarnar personagens viscerais e, há décadas, abrir os olhos de grandes cineastas.

De Glauber Rocha e Carlos Manga, Antonio passou por papéis tão diferentes quanto a cultura brasileira pode oferecer, emprestando seu carisma, beleza e talento a personagens que iam do coadjuvante de peso ao protagonismo – e, quando não era protagonista de um filme, com certeza roubava o destaque em suas cenas, como este documentário apresenta muito bem.

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Aliás, Beto Brant tem o imenso privilégio de filmar seu longa documentário sobre a vida de um ator tão consagrado tendo-o como protagonista e narrador de sua própria história. Enquanto acompanhamos as cenas das obras de Pitanga, ficamos atrás do enérgico protagonista e homenageado, que visita diversas personalidades, dentre elas diretores, atores, técnicos de sua cinematografia e músicos, todos cultivando-o em um bate-papo repleto de memórias, gargalhadas e nós na garganta.

A mágica desta obra está, também, em acompanharmos a vida pessoal de Pitanga, que, aliás, se envolveu com muitas atrizes e cantoras que passaram por sua longa carreira, o que culmina em diversos momentos agridoces, regados a memórias de um passado amoroso que ficou carinhosamente para trás.

A junção entre o pessoal e o profissional, tão bem escalado pelo veterano ator, une os laços que dão o nó em sua soberba carreira, nos lembrando, também, da riqueza do cinema nacional e do pioneirismo de um homem que quebrou preconceitos em uma época bastante remota para quem conhece o manifesto pelas redes sociais.

Este homem, aliás, criou sua gigantesca rede social de amizades que acompanha carinhosamente a sua força física e verbal, que hoje reverbera com a lembrança de um ator que, no passado, batalhou para se destacar em cada produção e, hoje, batalha para não deixar a valorização do cinema nacional morrer – eis a grande sacada de Beto Brant.

Nota: 9.

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