Pitanga

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Por Denis Le Senechal Klimiuc

Pitanga, 2017. Dirigido por Beto Brant e Camila Pitanga. Roteiro de Beto Brant, Camila Pitanga, José Carlos Avellar e Marçal Aquino. Elenco: Antonio Pitanga.

Após consolidar sua carreira como diretor de longa metragens de ficção, Beto Brant se arrisca em um documentário justamente sobre um dos maiores atores do cinema nacional, cujo desbravamento concomitante a sua carreira resultou em admiração de diversas gerações: Antonio Pitanga.

Pai de Camila e Rocco, atores já consagrados por seus papéis na teledramaturgia e cinema nacional, Antonio é considerado o primeiro protagonista negro de um filme, o que significa muito historicamente, mas que condiz com sua simplicidade em encarnar personagens viscerais e, há décadas, abrir os olhos de grandes cineastas.

De Glauber Rocha e Carlos Manga, Antonio passou por papéis tão diferentes quanto a cultura brasileira pode oferecer, emprestando seu carisma, beleza e talento a personagens que iam do coadjuvante de peso ao protagonismo – e, quando não era protagonista de um filme, com certeza roubava o destaque em suas cenas, como este documentário apresenta muito bem.

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Aliás, Beto Brant tem o imenso privilégio de filmar seu longa documentário sobre a vida de um ator tão consagrado tendo-o como protagonista e narrador de sua própria história. Enquanto acompanhamos as cenas das obras de Pitanga, ficamos atrás do enérgico protagonista e homenageado, que visita diversas personalidades, dentre elas diretores, atores, técnicos de sua cinematografia e músicos, todos cultivando-o em um bate-papo repleto de memórias, gargalhadas e nós na garganta.

A mágica desta obra está, também, em acompanharmos a vida pessoal de Pitanga, que, aliás, se envolveu com muitas atrizes e cantoras que passaram por sua longa carreira, o que culmina em diversos momentos agridoces, regados a memórias de um passado amoroso que ficou carinhosamente para trás.

A junção entre o pessoal e o profissional, tão bem escalado pelo veterano ator, une os laços que dão o nó em sua soberba carreira, nos lembrando, também, da riqueza do cinema nacional e do pioneirismo de um homem que quebrou preconceitos em uma época bastante remota para quem conhece o manifesto pelas redes sociais.

Este homem, aliás, criou sua gigantesca rede social de amizades que acompanha carinhosamente a sua força física e verbal, que hoje reverbera com a lembrança de um ator que, no passado, batalhou para se destacar em cada produção e, hoje, batalha para não deixar a valorização do cinema nacional morrer – eis a grande sacada de Beto Brant.

Nota: 9.

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