Há Tanto Tempo que Te Amo

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Por Denis Le Senechal Klimiuc

Il Y A Longtemps Que Je T´Aime, 2009. Dirigido e roteirizado por Phillippe Claudel. Elenco: Kristin Scott Thomas, Elsa Zylberstein, Serge Hazanavicius, Fréderic Pierrot, Catherine Hosmalin, Jean-Claude Arnaud, Lise Ségur, Mouss e Laurent Grévill.

Juliette viveu reclusa em uma penitenciária inglesa por quinze anos e, hoje, sentada no aeroporto aguardando alguém buscá-la, é notável como o tempo judiou de seu físico e emocional. Com fundas olheiras, o vício pelo cigarro e sustos a toda e qualquer movimentação à sua volta, ela parece sentir-se incomodada com a sua nova realidade e, experimentando a liberdade novamente, sente-se extremamente insegura.

Léa, irmã de Juliette, é casada com Luc e ambos têm duas filhas adotivas, as quais foram buscar no Vietnã. Paul, o pai de Luc, vive junto deles e, desde que teve um AVC, há três anos, perdeu a capacidade de falar, porém, muito pelo contrário, não perdeu a de se comunicar. Essa família diversificada e moderna, construída à base do amor e do esforço do casal, que trabalha muito – ela, professora; ele, pesquisador -, possui o grande desafio de comunicação impregnado no trágico passado de Juliette, que passa a morar na mesma casa.

Enquanto Juliette mal abre a boca e mantém-se reclusa a qualquer movimento corporal expressivo, sua face, corroída pelo sofrimento, expressa mais do que deveria e, transformando-a em uma guerreira frente às sutilezas que evita mostrar, caminha a passos lentos enquanto sua irmã destoa-se de seu passado e esbanja amor a sua irmã – até saber de sua soltura, Léa sequer se comunicava com a irmã, desde sua infância, quando seus pais a proibiram de fazer isso; esquecê-la era a regra e ela assim o fez.

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Neste belo drama de Phillippe Claudel, com um roteiro amarrado que conta tudo o que precisava contar e não deixa pontas soltas, aprendemos um pouco mais sobre recomeços e suas diversas possibilidades de acontecer: o recomeço de uma família que há muito parecia ter se desintegrado; o recomeço de uma vida após tê-la despedaçada e jogada ao vento; o recomeço profissional, apesar de ter sido médica; o recomeço amoroso.

E a direção simples e precisa, assim como o roteiro, também assinado pelo Claudel, encontrou em Kristin Scott Thomas a protagonista ideal para exalar amargor e esperança, sempre em seus olhos bastante expressivos e sua face já envelhecida, enquanto a atriz aproveita seu talento para atuar em francês; por sua vez, Elsa Zylberstein faz o contraponto perfeito com seu olhar ingênuo e caloroso, criando um relacionamento entre sua Léa e Juliette pelo qual tememos que algo ruim aconteça.

O desenrolar da narrativa, porém, torna este Há Tanto Tempo que Te Amo um soco na boca do estômago com a revelação de alguns porquês e, dessa forma, com a elegância de nos dar toda a esperança ao mesmo tempo em que constrói a tensão sobre o passado de Juliette, Claudel acerta em deixar para o final o impacto que nos fará ter esta obra em nossa memória por um bom tempo.

Nota: 9,5.

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