Invasão Zumbi

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Por Jaqueline Souza

Busanhaeng, 2016. Dirigido por Sang-Ho Yeon. Roteiro de Joo-Suk Park e Sang-ho Yeon. Elenco: Yoo Gong, Soo-an Kim, Yu-mi Jung, Dong-seok Ma, Woo-sik Choi, Sohee e Eui-sung Kim.

Os filmes coreanos estão em grande ascensão, acompanhando a onda Hallyu, que está difundindo cada vez mais esta cultura para outros países. O filme, dirigido por Sang-ho Yeon e apresentado no  Festival de Cannes de 2016, deixou sua marca com os enredos e  leveza que somente os filmes coreanos trazem aos seus expectadores.

No entanto, já começo com uma crítica negativa ao título abrasileirado “Invasão Zumbi”, que dá a centralidade do plot do filme aos zumbis de forma errônea, levando os espectadores a pensarem que o filme é como os de Hollywood de mesmo gênero, sanguinolência à la Tarantino.  O título, que é o que se encaixa adequadamente (e correto, na tradução!) seria “Trem para Busan” e, ao decorrer da análise, vocês entenderão o porquê disso.

Seok-woo (Gong Yoo) é um administrador de fundos que mora com a pequena filha Soo-na (Kim Su-an), em Seoul. Divorciado e dedicado ao trabalho, ele não tem tempo para sua filha, um típico workaholic. Temos o aniversário da menina, que quer ver a mãe em Busan, pois ali ela terá a atenção que precisa.

E ai que começamos nossa aventura no trem de Busan. A praga se espalha do vírus, infectando tudo e todos. E neste ponto temos nossa diferenciação dos blockbusters zumbis para essa película coreana.

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O apocalipse zumbi não tem importância alguma, poderia ser filme de guerra ou terroristas – o objetivo do filme seria fazer o expectador questionar- se sobre o que ele enfrentaria para proteger aqueles que amam. As relações que aparecem no filme entre as personagens são aprofundadas em uma dimensão de segundos; e aqueles que querem sobreviver inescrupulosamente ao terror do trem, têm uma justificativa no amor.

O elemento apocalíptico é um estopim para a reflexão da natureza humana no coletivo: será em que momentos desastrosos o ser humano é capaz de ajudar o outro, ter amor ao próximo?

A viagem no trem para Busan é assustadora e delicada, descrita em tons sombrios e silêncios de reflexão. É uma viagem ao interior dos personagens e de nós mesmos, ao refletirmos nossa mania de represar nossos sentimentos até não termos por quem derramá-lo.

Por isso, não espere deste filme um final feliz, mas simples e real.

Nota: 9.

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