Persépolis

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Por Denis Le Senechal Klimiuc

Persepolis, 2007. Dirigido e roteirizado por Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, baseado na oba de Marjane Satrapi. Elenco: Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Danielle Darrieux, Simon Abkarian, Stéphane Foenkinos.

Dirigido, escrito, baseado na obra e narrado sobre a vida de Marjane Satrapi, Persépolis não é uma simples animação, que se encaixa nos padrões criados pelo cinema norte-americano. Aqui, os artifícios de Hollywood são utilizados para dar técnica e nada mais. Por isso, se prepare para conhecer uma história agridoce como poucas.

Narrada desde a sua infância, quando Marjane tem apenas 8 anos e, no Irã, sonha em se tornar a “última profetiza da Terra”, o que a levaria ao salvamento de uma humanidade que, sob seu olhar ainda ingênuo, já se encontra sob diversas acusações. Filha de um casal comunista e vivendo com a companhia de sua avó e melhor amiga, Marjane acredita que a situação de Teerã, em 1978, poderá ser salva com uma boa dose de palavras divinas – pelo menos é assim que ela faz, quando está em dúvida sobre alguma atitude, conversando com seu deus e tornando-se conivente.

Mas a realidade de sua terra natal é dura e está apenas começando. A política dos xás daquele lugar deu lugar a gerações de ditadores cada vez mais frios e, por sua vez, deu espaço à manipulação exacerbada de países como Estados Unidos e Reino Unido. Eis a receita de como acabar com uma cultura.

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Enquanto cresce e se torna uma menina rebelde, Marjane observa sua família degringolar aos olhos cada vez mais amargos de uma jovem que teve de amadurecer rápido demais. E, ao mesmo tempo, é o absurdo do papel da mulher naquela sociedade que mais nos assombra, pois elas passam a ser objetos pertencentes a seus maridos e pais e qualquer outros homens que, acima da lei, têm o direito de tratá-las com desprezo.

Por sua inteligência, sagacidade e vontade de mudar o mundo, os pais de Marjane a mandam para Viena para estudar em uma escola cujo idioma principal seja o francês – ela mesma é fluente por ter frequentado o mesmo tipo de escola no Irã. Porém, a personalidade forte da garota, enquanto torna-se uma adolescente e jovem adulta, faz da protagonista alguém odiado, desprezado e julgado por algo que, até então, era inédito a ela: sua liberdade e sua nacionalidade.

Talvez esse contraponto seja o mote principal para ter levado Marjane a sofrer tanto em sua estadia na Áustria, pois, quando volta ao Irã ela percebe que não há motivos para enxergar um raio de luz sobre sua vida: em seu país natal, sempre em guerra e açoitado pela ira de homens incapazes de pensar por si mesmos, é desprezada pelo simples fato de ser uma mulher; em outro país, porém, é sua nacionalidade que a torna alguém suspeito e digna de pena – ou pior, de indiferença.

A maldade do mundo tirou o dom daquela pequena aspirante a profetiza e acompanhamos isso em um filme que, adulto como é, esconde seus terrores sob as nuances de uma animação – aliás, esta é baseada nos quadrinhos da própria Marjane.

Uma obra atemporal, sem sombra de dúvidas, que tirará de você o sono por saber que pertence a este mundo, onde a guerra torna um cenário maior em caos e o machismo está intrínseco à natureza de homens sem fé alguma. Enquanto isso, a bela trilha sonora enaltece a Teerã de Persépolis que, por alguns momentos, esquecemos que aquilo tudo é uma animação e não um brutal documentário. Ou será que é?

Nota: 9.

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A Culpa é das Estrelas

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Por Denis Le Senechal Klimiuc

The Fault in Our Stars, 2014. Dirigido por Josh Boone. Roteiro de Scott Neustadter e Michael H. Weber, baseado na obra de John Green. Elenco: Shailene Woodley, Ansel Elgort, Laura Dern, Sam Trammell, Willem Dafoe, Nat Wolff, Lotte Verbeek, Mike Birbiglia, Emily Peachey e Ana Dela Cruz.

“A dor precisa ser sentida”, Uma Aflição Imperial.

Hazel Grace e Augustus Waters conquistaram milhões de pessoas ao redor do mundo, culminando nesta bela adaptação cinematográfica, composta pela dose certa de romance e drama, com pitadas de cultura pop e, é claro, o toque adolescente do século XXI: eis um perfeito romance young adult, cujas chances de te fazer ir às lágrimas são bem grandes.

Baseado no best seller de John Green, A Culpa é das Estrelas nos apresenta à vida pós-câncer de Hazel Grace, adolescente transformada pelo toque da famigerada doença e que, desde então, vive sob a batuta de seus pais corujas, que despertam nela a sensação de fragilidade que sua vida, de fato, passou a ter desde que a doença dominou seus pulmões.

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Felizmente, Hazel foge da típica adolescente e, é claro, seus dramas são compostos por questões mais filosóficas do que morais, pois tem plena consciência de que sua vida chegará, seja tarde ou seja cedo, ao fim. Sentindo-se um peso à sua família, então, ela passa a fazer algumas vontades de seus pais e, dentre elas, a de frequentar um grupo de apoio a jovens com câncer. E então ela conhece Augustus Waters.

A vida dos protagonistas desta obra é cercada, sim, pela doença. Mas também por questões que os fazem questionar o quanto devem aproveitar de suas respectivas vidas, enquanto podem. E a energia de Augustos, aliás, é o combustível que transforma a vida de Hazel em uma série de experiências não só românticas, mas de pura vivência. Afinal, ela está viva e, segundo ele, deve aproveitar enquanto ainda pode respirar.

Cercados por metáforas, os protagonistas deste romance dramático têm a vantagem de possuírem a mão firme de Josh Boone na direção do longa,  o que evite diversos clichês do gênero, à exceção de uma vez ou outra – como o beijo no alto da casa de Anne Frank, quase piegas demais para se tornar crível.

Aliás, é em Amsterdã que conhecemos de fato a história dos protagonistas e suas respectivas personalidades. Enquanto curtimos a história ao som de uma bela trilha sonora, com preciosidades indies como Let Me In, de Grouplove, e All I Want, de Kodaline, é a libertária cidade holandesa que nos entrega, junto a seu símbolo de resistência, Anne Frank, um dos porquês mais importantes deste filme: onde a liberdade do sexo e da vivência de sensações é experimentada a todo o instante, o casal se entrega ao ápice de suas respectivas vidas, ao mesmo tempo em que descobrem nuances ainda mais atenuadas de suas dores.

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Entremeado por conflitos adolescentes (Vê este círculo? Esse é o círculo dos virgens. E este é o dos virgens com uma perna só que possuem 18 anos) e por questões que não só aludem à adolescência em si, mas também à situação de quem possui uma doença tão grave (Augustus, eu sou como uma granada. E qualquer dia eu vou explodir e tudo que estiver por perto vai…), A Culpa é das Estrelas surte efeito em quem o vê por todo o seu carisma e transparência ao abordar, ainda que de maneira romanceada, um dos momentos mais difíceis da vida de uma pessoa.

Não é todos os dias que a vida é celebrada por mais difícil que ela possa parecer; não é sempre que o exemplo do câncer pode dar, ainda, expectativas positivas diante da crueldade do dia a dia de quem enfrenta a doença. Mas é importante aproveitar o tempo, mesmo que ele tenha uma parcela minúscula diante de tudo o que poderia ser vivido. Pois, como bem diz Hazel Grace, “Alguns infinitos são maiores do que outros”.

Nota: 9.

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Sing Street: Música e Sonho

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Por Denis Le Senechal Klimiuc

Sing Street, 2016. Dirigido e roteirizado por John Carney. Elenco: Ferdia Walsh-Peelo, Lucy Boynton, Jack Reynor, Maria Doyle Kennedy, Aidan Gillen, Kelly Thornton, Mark McKenna, Conor Hamilton, Karl Rice, Ian Kenny, Des Keogh, Tony Doyle e Marcella Plunkett.

John Carney não erra a mão. Depois de nos apresentar os inesquecíveis Apenas Uma Vez e Se Nada Der Certo, agora ele nos faz mergulhar na Dublin dos anos 80 e compactuar com um grupo de adolescentes em plena crise econômica na Irlanda. Como? Com belíssimas canções, é claro!

Conor vive com seus pais, que não aguentam mais um ao outro e sufocam a si mesmos, além de seus três filhos, ao brigarem constantemente. Para abafar o som da violência verbal imposta a ele, Conor se tranca em seu quarto e, com seu violão, compõe pequenos versos para esquecer o mundo hostil que o rodeia.

Apegado a seu irmão, Brendan, que largou a faculdade e hoje vive à mercê de sua rebeldia, Conor é obrigado a se mudar de escola, pois a situação financeira de seus pais não colabora para que ele fique no colégio ao qual estava habituado. Assim, passamos a acompanhar a vida de um adolescente que, fã confesso de música, sobretudo o rock que dominava a cabeça dos mais jovens naquela época, tem de se adaptar a um colégio estritamente católico. O restante do país, por sua vez, procura por oportunidades de trabalho enquanto uma boa parcela migra para Londres em busca dinheiro.

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Seria um drama complexo sobre as regras rígidas da cultura católica irlandesa e do péssimo momento econômico daquela época se Carney, costumeiramente sensível, não entoasse cada momento com uma canção. E, nos colocando na mente de Conor, o acompanhamos enquanto consegue gradativamente se firmar em sua escola, com amigos sendo criados graças ao gosto pela música e vontade de ter uma banda.

Aliás, é justamente quando a banda é formada, a Sing Street, que o filme homônimo se torna muito maior do que os dramas ali apresentados, pois compreendemos, através das letras de Conor e de sua banda, que a Irlanda dos anos 80 fervilhava com as novidades musicais, enquanto essa válvula de escape era permitida.

Para completar o clima bem humorado do longa, a trama na qual Conor conhece Raphina e, a partir de então, faz de tudo para conquistá-la, é a cereja na ponta deste nostálgico e envolvente bolo. E é justamente esta trama que se torna cada vez mais densa, enquanto o restante se resolve à medida que a autoestima de Conor se desenvolve.

Sing Street possui belíssimas canções, das mais agitadas às lentas, com o mesmo bom gosto que o diretor nos brindou em seus longas anteriores. Aqui, apesar de conter uma história que nos remete à infância de seu realizador, somos levados a um filme marcante e, ainda assim, leve. Merecedor de toda boa memória de quem quis ter ou teve, um dia, uma banda com os amigos da escola.

Nota: 9.

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A Bela e a Fera

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Por Denis Le Senechal Klimiuc

Beauty and the Beast, 1991. Dirigido por Gary Trousdale e Kirk Wise. Roteiro de Roger Allers, Linda Woolverton, Rob Minkoff e Chris Sanders. Elenco: Paige O´Hara, Robby Benson, Jerry Orbach, David Ogden Stiers, Angela Lansbury e Bradley Pierce.

Em sua segunda era de ouro, a Disney lançava, em 1991, A Bela e a Fera, transformando uma geração inteira em fãs desta que é uma de suas mais belas histórias de amor: Bella, filha de um inventor já idoso, tenta salvar o pai de uma enrascada quando se vê obrigada a permanecer no castelo mal-assombrado próximo a seu vilarejo.

Obrigada pela Fera que ali vive, ela troca sua liberdade pela de seu pai, o que faz com que o velho se desdobre em pedir ajuda pelo vilarejo, chamando a atenção de Gaspar, o galanteador e promíscuo interessado em Bella.

Enquanto isso, a mocinha está presa no castelo, se recusando a conviver com a fera, porém, se deleitando na simpatia de seus empregados, todos magicamente transformados em objetos, como o castiçal Lumiére, a bule Sra. Potts ou seu filho, Chip. É então que Bella descobre o porquê de tudo ser tão diferente naquele castelo: uma maldição recaiu sobre o proprietário, transformando-o em uma fera por não olhar para nada além da beleza; infelizmente seus empregados tiveram destino semelhante.

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É claro que a Bella e a Fera se apaixonam, tornando toda a história em um ritual de amor emocionante, enfrentando Gaspar e os perigos do julgamento de quem o faz por livre e espontânea vontade, sem medir pensamentos ou palavras, sem enxergar nada além da aparência. Esta é, talvez, a grande lição deste clássico Disney.

Mas o que torna A Bela e a Fera um filme inesquecível são as canções de Alan Menken, compostas como uma luva para cada situação, que as transformam em hits na mente de qualquer um que assiste ao filme. Aliás, é a música homônima ao filme que mais emociona, em uma espetacular cena que custou à Disney a integração de animação por computação gráfica ao tradicional jeito de contar suas histórias.

Dirigido por Gary Trousdale e Kirk Wise, A Bela e a Fera toma lugar no panteão das grandes animações da história do cinema, levando uma geração inteira aos cinemas e mantendo-se intacta na memória daqueles que foram tocados por sua doce história e inesquecíveis canções.

Nota: 10.

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Orgulho e Preconceito e Zumbis

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Por Jaqueline Souza

Pride and Prejudice and Zombies, 2016. Dirigido e escrito por Burr Steers, baseado nas obras de Jane Austen e Seth Grahame-Smith. Elenco: Lily James, Sam Riley, Bella Heathcote, Douglas Booth, Suki Waterhouse, Sally Phillips, Charles Dance, Matt Smith, Jack Huston, Emma Greenwell, Lena Headey, Aisling Loftus, Dolly Wells, Hermione Corfield, Morfydd Clark e Janet Henfrey.

Todos sabem que em certos clássicos não se mexe.

Por isso, quando são adaptadas obras das consideradas clássicas, como é o caso de Jane Austen e seu grande romance ‘Orgulho e Preconceito’, e acrescentamos na relação de Lizzy Bennet e Mr. Darcy alguns zumbis, já percebemos a grande chuva de tomates e pedras que o filme tomou pela preservação do texto original.

‘Orgulho e Preconceito e Zumbis’, filme de 2016 dirigido Burr Steers, reconta as relações amorosas e sociais da sociedade inglesa, enquanto o mundo inteiro é devastado por uma praga que acorda os mortos que querem comer cérebros gostosos.

Sabemos bem que o conceito zumbi está bem na moda, mas no filme eles assumem outra perspectiva, uma metáfora aos obstáculos sociais que separam ricos e pobres, definidas pelo nascimento e casamento que tanto Jane critica.

Na primeira cena, somos apresentados a uma mansão rica que pode estar com um infectado que ainda não cedeu à tentação de comer os coleguinhas burgueses. Mr. Darcy (Sam Riley) é o caçador de zumbis que precisa não somente lutar contra as aparências de segurança que aquela comunidade quer manter mesmo que isso custe sua própria.

A família Bennet está divida entre o impasse da guerra entre seus pais a respeito do futuro de suas filhas. Temos as cinco Bennet, guerreiras nas técnicas chinesas Shaolin em derrotar zumbis, protetoras de Netherfield. Elizabeth (Lily James) interpreta essa personificação de mulher heroica e guerreira, tanto nas palavras quanto na espada, e sua delicadeza e postura exigidas às mulheres da época.

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A melhor cena do filme é embate no baile, em que as irmãs Bennet lutam de forma coesa, delicada e fatal. E esse momento que começa o enlace de Lizzy e Darcy.

As diferenças, além do povinho zumbi da obra é o enredo que leva a um final alternativo, com conceitos religiosos, como o aparecimento dos Cavaleiros do Apocalipse e a procura daquele que irá comandar o exército zumbi ao poder.

Explicando assim, parece um filme nada coeso. Com tudo, temos aventura, comedia e clássicos. A crítica de Jane Austen de forma leve e coesa presente com um toque de sanguinolência.

O final, contudo, é bem fraco, deixando um gostinho de finalização.

Um ponto positivo para destaque é a maquiagem e o cenário que contribui para a caracterização e imersão apocalíptica zumbi da história. Temos também o maravilhoso Matt Smith, interpretando um Mr. Collins hilário que rende diversas risadas com cara e bocas e que deixou essa personagem chata, bem querida.

Nota: 7.5.

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Atores que superaram a maldição do Oscar

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Por Denis Le Senechal Klimiuc

Hollywood tem dessas coisas: enquanto alguns passam a vida inteira tentando pertencer ao panteão dos indicados ao Oscar, outros se transformam em queridinhos da noite para o dia e assim permanecem por anos – e outros angariam as suas estatuetas e são relegados ao esquecimento.

Muitos atores comprovadamente talentosos se transformaram em ícones ao agarrarem a estatueta por papéis merecedores (ou não) de reconhecimento, se tornando parte do seleto grupo de ganhadores do prêmio mais importante da indústria cinematográfica – aquele que torna Hollywood esse camaleão de preferências.

Porém, muitos dos ganhadores de tal prêmio sofrem com algo chamado “Maldição do Oscar”, uma crença de que é possível, sim, ganhar o maior prêmio por reconhecimento a uma interpretação e, ainda assim, cair no esquecimento.

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Os amaldiçoados

Muitos atores, nos últimos vinte anos, para não nos estendermos demais, caíram na Maldição do Oscar e hoje são relegados a participações pequenas ou filmes B, sem importância alguma para premiações.

É importante ressaltar que o Oscar não premia o melhor, mas sim o politicamente mais interessante. Da mesma forma, saiba que muitos atores galgam suas carreiras com o pensamento em prêmios, por quererem máximo reconhecimento na indústria na qual, literalmente, atuam.

Alguns tentaram, mas, infelizmente, não conseguiram permanecer no panteão dos ganhadores do Oscar e influentes atores. Gwyneth Paltrow, por exemplo, levou inesperadamente o prêmio de melhor atriz por Shakespeare Apaixonado. Desde então, coleciona pequenos papéis, como nos recentes filmes da Marvel, e obras independentes, como Sylvia: Paixão Além das Palavras, A Prova e Amantes.

Outras duas atrizes, em minha opinião mais talentosas, possuem longas carreiras, mas desde que venceram o Oscar como atriz e atriz coadjuvante, não conseguiram emplacar outros grandes papéis: Halle Berry e Jennifer Connelly, respectivamente.

Alguns atores, por sua vez, passaram pela mesma situação de ostracismo: Adrian Brody, depois de vencer por sua magnífica interpretação em O Pianista, nunca mais conseguiu outro papel de destaque; o mesmo aconteceu a Cuba Gooding Jr., que hoje encontra papéis melhores na televisão.

Mas e os atores que superaram tal maldição, onde estão?

Apesar de serem exceções à regra, alguns atores conseguiram voltar à tona após receberem seu Oscar e caírem no esquecimento do prêmio.

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Edward Norton

Desde que foi considerado um dos talentos mais proeminentes de sua geração, na década de 90, Edward Norton caiu no esquecimento da premiação por mais de 15 anos, até ter seu desempenho por Birdman (ou a Inesperada Virtude da Ignorância) reconhecido.

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Judi Dench

Quando ganhou o Oscar de coadjuvante, por Shakespeare Apaixonado, a dama do teatro inglês parecia prestes a entrar em ostracismo. Mas a sua fúria interpretativa se manteve intacta, conquistando outras indicações nos diversos anos seguintes, até, inclusive, 2013, quando conquistou sua última (até o momento).

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Denzel Washington

Sim, ele já conquistou duas estatuetas e, após sua segunda, passou dez anos sem ser lembrado no prêmio mais importante do cinema. Mas a segunda década dos anos 2000 começou e, hoje, Denzel está cotadíssimo para ganhar por seu desempenho em Um Limite Entre Nós.

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Julia Roberts

Quando os anos 90 chegaram, o cinema norte-americano encontrou sua queridinha: Julia Roberts misturava seu imenso carisma a papéis de destaque, conquistando constantemente prêmios, à exceção do Oscar. Quando ganhou, por Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento, caiu no esquecimento da Academia e passou anos sem um papel de grande relevância dramática. Mas sua performance ao lado de Meryl Streep em Álbum de Família fez com que todos lembrassem que uma vez queridinha, sempre queridinha.

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Jeff Bridges

Filho de ator, Jeff Bridges passou sua vida do lado de lá das telas, até conquistar reconhecimento e garantir sua última indicação, em 2001. Depois disso? Bom, ele já ganhou o prêmio como protagonista de Coração Louco, em 2010, e está mais uma vez indicado por A Qualquer Custo.

Com suas peculiaridades, o Oscar tem provado gigantesco poder sobre a carreira de muitos atores, os quais possuem a parcela de se importar e outra que não está nem aí. É possível, é claro, que tal Maldição do Oscar seja apenas um meio de chamar a atenção para a carreira de artistas que deixaram de se importar com o prêmio.

O que você acha?

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Conheça os 5 filmes de melhor bilheteria da história do cinema!

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Por Denis Le Senechal Klimiuc

Uma das formas de entretenimento mais admiradas e requisitadas, o cinema é uma arte contemporânea que, ao longo de pouco mais de cem anos, transformou a sociedade e a moldou em costumes, cores, cenários, paixões e arrebatadoras interpretações.

A união de entretenimento e arte, aliás, cunhou a esta forma de expressão o título de mais democrática, o que significa que qualquer pessoa do mundo possa ter acesso a um filme e compreendê-lo em seus sentidos e significados.

Rir e chorar diante da tela grande é, sobretudo, a identificação mágica que ocorre, por algumas dezenas de minutos, entre o espectador e um trabalho realizado por centenas de pessoas.

A exemplo dessa indústria, que também valoriza o lucro, estão os filmes mais assistidos de sua história. Para te mostrar como o cinema transformou vidas ao longo de décadas, separamos os 5 filmes de melhor bilheteria da história do cinema, com a correção da inflação, que variou bastante em sua história.

5º lugar: a Noviça Rebelde (1965)

Bilheteria mundial com correção: US$ 2.366.000.000,00

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Este espetacular musical de Robert Wise traz Maria, vivida com maestria por Julie Andrews, uma noviça que não se acostuma às regras da igreja e, em plena Áustria em meio à Segunda Guerra Mundial, é mandada para a casa dos Von Trapp, na qual o pai e viúvo capitão comanda seus sete filhos com mãos de ferro.

Mas a delicadeza de Maria e sua persistência através das inesquecíveis músicas emocionaram plateias do mundo inteiro, com o pano de fundo dos terrores dos feitos de Hitler para nos lembrar que a vida pode ser enxergada da maneira com a qual a conduzimos.

4º lugar: Titanic (1997)

Bilheteria mundial com correção: US$ 2.516.000.000,00

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James Cameron é mestre em criar histórias que grudam na cabeça dos espectadores, pois com as séries Alien e O Exterminados do Futuro ele já havia provado sua capacidade técnica e narrativa. Mas foi com o romande de Jack e Rose que Cameron alçou o posto de rei do mundo e, com a tragédia de Titanic, levou milhões de pessoas aos rios de lágrimas mundo afora.

3º lugar: Star Wars – Uma Nova Esperança (1977)

Bilheteria mundial com correção: US$ 2.825.000.000,00

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A inventividade de George Lucas levou o cinema a um novo patamar, pois, junto com Tubarão (1975), Star Wars – Uma Nova Esperança, ou Guerra nas Estrelas, para os contemporâneos, alçou o cinema ao que conhecemos hoje como blockbuster. E a história de Luck Skywalker, Lea e Han Solo transformaram a cultura pop no que ela é hoje.

2º lugar: Avatar (2009)

Bilheteria mundial com correção: US$ 3.020.000.000,00

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Mais uma vez, James Cameron uniu a técnica com a narrativa e emocionou plateias de todo o mundo com esta aventura ecológica que grita a plenos pulmões, em suas entrelinhas, que o planeta Terra precisa de ajuda.

Com o desenvolvimento de diversas técnicas e o aprimoramento do que enxergamos hoje como 3D, James Cameron nos apresentou à belíssima Pandora e toda a sua fauna e flora, enquanto nos encantávamos pelas histórias dos Na´vi, os seres azuis que habitam aquele planeta.

1º lugar: E o Vento Levou (1939)

Bilheteria mundial com correção: US$ 3.440.000.000,00

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Mas é mesmo a história de Scarlett O´Hara que levou o público às lágrimas no já longínquo ano de 1939, quando E o Vento Levou transformou a vida de milhões de pessoas em um emaranhado de emoções ao levar às telas grandes o drama de Scarlett, que passa por poucas e boas durante a Guerra Civil Americana, que destruiu milhares de fortunas e levou diversas famílias ao buraco.

Para não ceder à tragédia, ela luta para manter sua dignidade enquanto vive um tórrido relacionamento com o galante Rhett Butler, que vai e vem na vida de Scarlett enquanto esta se transforma em uma verdadeira guerreira diante das adversidades de sua vida.

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